11 de out de 2007

Ana's their Obssession...

O mundo está obeso. É fato. É provado. Mesmo assim, você consegue achar facilmente comunidades em que garotas que aparentemente têm um peso considerado normal para um médico, querem ficar mais magras. Em um programa de TV matinal, que eu assisto enquanto tomo café, mostrou um dia desses uma matéria - até interessante - sobre formas erradas de se usar lingerie. Desfiles à parte, apareceu uma típica pessoa que você vê caminhando na rua: um pouco acima do peso, arrumadinha, com maquiagem e usando o tipo certo de roupa de baixo para o seu corpo. Eis que, no auge da mais completa ignorância, a apresentadora fala:

"Nossa, mas ainda tá sobrando um pouquinho de pele aqui. Mas isso é questão de regime, né?! Porque você tá [pausa para pensar no adjetivo] fortinha"

Quantas vezes uma garota já ouviu isso na sua vida? Milhares, digo eu. Não sou o biotipo perfeito de corpo para discutir sobre isso, pois sou dotada de um biotipo normal, mas na infância fui bem gordinha, ou como nossa querida falou: 'fortinha' - o que, vamos combinar, é bem pior do que gorda e acaba com qualquer auto-estima. Voltando ao assunto, eu era motivo de chacota no colégio... rolha de poço, donnut, obesa, pneu de caminhão, só pra citar alguns apelidos carinhosos que meus coleguinhas me chamavam. Isso me deprimia... e muito. Tanto que eu jurei pra mim mesma que ia ficar super-hiper magra e ia mostrar pra eles quem é a rolha de poço de verdade. Durante metade de um ano, todo o dinheiro que minha mãe me dava para comer, eu guardava e ficava em jejum. Chegava em casa, almoçava, ia dormir e só comia no dia seguinte. Estava achando o máximo! Emagrecendo, ficando fininha, os meninos me notando... Num belo dia, eu desmaiei. Isso! Meu corpo já não aguentava mais ser maltratado por essa dieta maluca. Desde esse dia, eu coloquei na minha cabeça que ser magra não é ser linda, afinal de contas, do que adianta você ser uma modelo magérrima se suas unhas quebram a toa, seu cabelo cai... Lutei até o fim com a minha neurose e a venci. Não é tão difícil assim quebrar barreiras quando se tem força de vontade. Hoje em dia sou feliz do jeito que sou. Claro, encano com uma coisinha aqui, outra ali... Mas prefiro vestir meu modelo 42 do que ir de carona num carro fúnebre.


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Várias coisas me levaram a escrever esse post, mas a principal foi a citação de uma menina em uma comunidade Pró-Anorexia/Bulimia do orkut:

"Vou comprar remédio pela internet porque nenhum médico quer me dar a receita, que ódio! Por quê eles não pegam essa receita e enfiam no *&# ?
[...] Decidi que dessa vez é pra valer, tô nem aí, quero ser feliz e pronto! Minha mãe está preocupada comigo porque meus braços e pernas estão magros... Acordarei mais cedo para ir na academia e tomando o remédio, continuando desse jeito que estou chegarei aos 34kg antes que eu imagine... Emagreço querendo ou não porque desse jeito já cansei de ser..."
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Simplismente revoltante.

2 comentários:

~universo paralelo~ disse...

como vc memsa disse: Não é tão difícil assim quebrar barreiras quando se tem força de vontade.
primeiro parabens pela sua vitoria, e segundo eu concordo plenamente com vc eh simplismente revoltante saber q existe esse tipo de coisa.!
Muito bom o texto.!
Beijos.!

~universo paralelo~ disse...
Este comentário foi removido pelo autor.